22 de nov. de 2010

UMA MÁQUINA DIVINA

Sempre me impressiono quando vejo uma apresentação de street dance, um espetáculo circense, ou ainda uma apresentação de balé clássico. Fico maravilhada com a precisão dos movimentos o auto-domínio total do ser humano com o seu veículo carnal. É quando fica claro para mim o quanto nossa inteligência é capaz de moldar esse complexo de músculos, ossos, sangue e ainda subverter a lei da gravidade.
É nesses momentos que vejo comprovado a divindade do ser humano. Tanto quem os observa  quanto aquele que executa os movimentos, a alma se regozija, se expande, brilha e se sente plena dentro desse corpo que a acolhe.
Num outro extremo, já começo a sentir em mim a chegada do outono da vida e começo a sentir o corpo tornando-se mais sensível a quedas, a dores e sentindo cada vez mais a necessidade de exercitá-lo de forma a não forçá-lo e sim sentir pulsando saudavelmente a alma ainda muito jovem.
Encontro um velho colega de trabalho que já está com seus quase 80 anos que me diz que já está chegando ao seu final. Sinto compaixão pela constatação de que com o passar dos anos o nosso corpo físico já não responde o que a nossa alma almeja. E é nesse momento que ela decide deixar esse velho invólucro para voltar a ser livre.

MULHERES DE APOIO

Há mulheres que massageiam outras mulheres, mulheres que são confidentes, mulheres que tratam outras mulheres, mulheres que se compreendem, mulheres que embelezam outras mulheres, mulheres que são cúmplices, mulheres que educam outras mulheres, mulheres que são amorosas, mulheres que rezam por outras mulheres, que se apóiam mutuamente, mulheres que geram outras mulheres, mulheres que nutrem, mulheres que homenageiam outras mulheres. São tantas essas mulheres! Por isso, é proposital a repetição quase prolixa da palavra.
Há uma crença negativa segundo a qual as mulheres não são amigas entre si, que vivem competindo e invejando umasres que geram outras mulheres,  às outras. Tem até mulheres que passam uma vida inteira se sentindo ameaçada pela presença ou pela beleza de outras mulheres. Mulheres essas que ficam presas nessa falsa crença e deixam de usufruir dessa forte e bela confraria feminina. Existe sim, uma força intuitiva, que forma uma colcha de retalhos (patchwork), na qual cada pedacinho é a experiência vivida por todas, que se unem, nas suas dores e delícias, passando e alinhavando com outras o seu conhecimento ou sua sabedoria, fortalecendo-se mutuamente. Eu me sinto cada uma dessas mulheres e conheço cada uma delas e admiro à todas. E acho bom que sejamos lembradas em um dia simbólico. Algumas mulheres acreditam que ao se comemorar o dia da mulher dá a entender que somos mais uma minoria maltratada, eu hoje acho que devemos nos orgulhar do dia 8 de março, e vou além, todos os santos tem o dia de comemoração, não é mesmo? Isso só prova o quanto somos divinas. 

DO VELHO E DO NOVO

Nos últimos meses vivi experiências que me fizeram refletir a respeito de preconceitos que se observam em nossa sociedade, no que diz respeito aos novos e aos velhos profissionais no mercado de trabalho. Coincidentemente, estou escrevendo sobre eles no feriado do Dia do Trabalhador.
Nas duas situações a seguir, quero deixar registrado publicamente minha gratidão a esses profissionais. O primeiro, um jovem odontopediatra, Gabriel Politano, professor da PUC-Campinas, que juntamente com sua também jovem equipe fez uma cirurgia primorosa em minha filha. Do outro lado, no outro extremo, Edvaldo Dias, meu mais novo amigo, que devido a uma aposentadoria precoce, apesar de sua experiência e competência, não lhe abriram mais as portas. Hoje, é nosso braço forte.
A força de trabalho e competência não tem idade, só tem dedicação. E mais uma vez quero denunciar neste espaço a permanência das pessoas em falsas crenças. Acredita-se que o jovem profissional não tem experiência e o velho não é produtivo. Pois entendo que o jovem recém-formado está mais atualizado, o que o torna apto a experienciar novas medidas, seja qual for sua área. Porém, deve fazê-lo sem arrogância e com responsabilidade. O velho profissional carrega a malícia das entrelinhas de suas vivências, o que o torna extremamente capaz. Porém, há que se valorizar e não se entregar ao comodismo. Algumas grandes empresas “antenadas” estão dando sinais de mudança, mas a grande maioria continua agindo com preconceito.
Minha intenção é que possamos refletir sobre como encaramos essas questões e o que estamos fazendo efetivamente para que as coisas aconteçam baseadas em paradigmas mais humanos e libertários.

A PLENITUDE DO PRESENTE

Estes dias, pela manhã, ainda sonada enquanto preparava o café, coloquei a água fervente através do porta-filtro, que de repente escorregou. Senti uma dor profunda da queimadura da água no meu pé, além de constatar a grande sujeira que se espalhou pelo chão da cozinha. A dor me despertou e me forçou a ficar presente na situação.
Há alguns meses participei de um seminário com Pierre Weil na pós-graduação que estou cursando na Unipaz. O tema do seminário era “A arte de viver em plenitude” e dentre tantos insights e ensinamentos que o mestre passou, um deles me marcou: o da necessidade de estarmos verdadeiramente presentes em cada pequeno acontecimento em nossas vidas. Somente dessa forma podemos viver em plenitude, mas infelizmente nossas mentes às vezes estão tão distraídas ou preocupadas que fazemos as coisas automaticamente. E é nessas horas que ocorrem os acidentes. Acordei com a minha dor e mesmo com toda a ardência tive de limpar o chão da cozinha, enquanto tive outro insight. Para mim, ficou clara a diferença entre ser uma criança e um adulto, pois nessa mesma situação a criança pode até levar uma bronca mas a responsabilidade de limpar a sujeira e cuidar do machucado é do adulto que a assiste, enquanto nós, adultos, além de sofrermos a dor e o arrependimento de uma “besteira” que fizemos, temos de consertá-la. Ninguém fará isso por nós.
Conclusão: estejamos atentos a todas as nossas atitudes e sentimentos; estejamos realmente presentes de nós mesmos para que não precisemos sufocar a dor e ter de consertar o que muitas vezes não tem volta.

8 de nov. de 2010

‘Silvias’ do Bem

Este mês, quero falar de uma Sílvia. Não eu (até porque meu nome não tem acento...), mas a Dra. Sílvia Bellucci, que tive o prazer de conhecer para a ‘Zentrevista’ desta edição.
Da mesma forma quando entrevistei outra Silvia – Brandalise, do Centro Boldrini –, fiquei tocada com o trabalho desenvolvido no Centro Corsini em benefício dos portadores de HIV. Principalmente quando fiquei sabendo do uso de terapias complementares, como as maravilhosas essências florais, no processo de tratamento desses pacientes.
Não por acaso estamos nos referindo a uma pessoa efetivamente do Bem, que tem sensibilidade para a profundidade do ser humano e segue fielmente os princípios de seu mestre, Dr. Antonio Carlos Corsini, mentor do legado tão bem conduzido pela Dra. Sílvia Belluci, um verdadeiro anjo entre nós.
Personagens como a Dra. Sílvia mereceriam páginas e páginas deste jornal. De qualquer forma, o leitor tem sido privilegiado com marcantes (Z)entrevistas em espaço dos mais nobres em nossas edições. A desta é uma delas, e uma página foi pouco.
Se há um paralelo entre as ‘Silvias’ citadas, diz respeito à capacidade de muito fazer sem tanto exigir. Tal desprendimento se revela alentador em um mundo tão conturbado, nos enchendo de esperança quanto a dias melhores.
Compartilhar, de alguma forma, do abnegado trabalho destas ‘Silvias’ me leva, humildemente, a me juntar a elas na nobre missão de fazer o bem, essencial proposta do nosso jornal. Temos muito a ver, é verdade, mas nada comparável à grandeza das duas ‘Silvias’ que fazem a história de Campinas.