28 de fev. de 2012

PAUSA NO TEMPO



Estive em encontro de poetas e escritores na Academia Campinense de Letras, do qual participei como membro da Academia das Forças Armadas. Era um grupo pequeno e contava com a presença dos presidentes Agostinho Tavolaro e Arita Damasceno Pettená.
Reunimo-nos em homenagem ao poeta campineiro Guilherme de Almeida e desde o momento em que fomos chegando, conversando informalmente, conhecendo-nos melhor, lendo e ouvindo poesias, até o momento final, com o tradicional chá, mergulhamos numa energia leve, uma bruma enebriante de poesia e emotividade.
Sempre que vou à Academia transporto-me no tempo. Nessa ocasião, especialmente, é como se o tempo parasse para nos ouvir. Ficamos envoltos num pequeno espaço onde os sonhos se revelam, as emoções fluem – um local suspenso num universo paralelo, alheio ao correr apressado do mundo; momento único num espaço-tempo em uníssono com a serenidade Divina.
João Batista Muniz Ribeiro, presidente do Clube dos Poetas de Campinas, citou um ditado antigo: “São Pedro não conta o tempo em que o pescador fica pescando. Ele desconta. Dá um crédito”. E rimos aliviados, porque apesar de todos nossos compromissos lá fora, naquele momento estávamos ganhando um desconto do tempo.
Ganhamos um bônus Divino para preencher nossas almas de poesia e lirismo, de boas histórias contadas, de uma troca sem intenções secundárias. Apenas estávamos ali compartilhando o exercício da intelectualidade unida à emoção para alimentar nosso espírito.
Sinto-me mais uma vez abençoada por gozar desse privilégio. Aproveito para ilustrar este meu pensa-mento com um dos haicais de Guilherme de Almeida:

Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se “Agora”.

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