28 de fev. de 2012

UMA NOVA ETAPA



Considero este ano especial para o JORNALZEN, pois estamos comemorando 7 anos.
Ninguém duvida que o número 7 é cabalístico. Sete cores no arco-íris, sete chacras, sete maravilhas no mundo!
Rudolf Steiner, o criador da antroposofia, definiu a evolução da pessoa de acordo com a teoria do setênios, segundo a qual a cada sete anos há uma mudança significativa nos aspectos físicos, emocionais, comportamentais e espirituais. Steiner define que no primeiro setênio (0-7anos), a criança emprega todas as suas energias para o desenvolvimento de seu físico. Ela manifesta toda sua volição através de intensa atividade corporal. Nessa fase a criança tem uma grande abertura em relação ao mundo. Ela acolhe sem resistência anímica tudo o que lhe advém do ambiente em redor, entregando-se ao mundo com confiança ilimitada. Vive num estado de ingenuidade paradisíaca, num mundo em que o bem e o mal se confundem indistintamente. Durante esse primeiro setênio, a relação mais importante com o mundo exterior transcorre de fora para dentro.
Numa correlação com a nossa caminhada até agora, o JORNALZEN se manifestou fisicamente, com intensa atividade, e absorvemos tudo o que o ambiente social pôde nos proporcionar. No segundo setênio (7 a 14 anos), a criança passa a ter todas as suas forças dirigidas ao seu desenvolvimento anímico. O pensamento da criança nessa fase é nascido mais das energias do coração do que da cabeça; é um sentimento que pensa. A grande força para aprender, nesse momento, é a capacidade de vivenciar imagens interiores intensamente.
Assim sendo, agora é a hora de sonhar, de experienciar os sentimentos de nossa criação com relação a nós próprios e aos outros. Passaremos pela nossa adolescência com toda a beleza e dificuldade que ela representa. E esperamos, como qualquer adolescente, termos e fazermos cada vez mais amigos e nos apaixonar muitas vezes, tendo o direito de nos rebelar às vezes. Contestar os paradigmas que não nos servem mais e, acima de tudo, usar toda a energia para transformarmos o mundo num lugar melhor.

REFLEXÃO PRÉ-NATALINA II



Natal é a reunião da família, certo? Proponho que ampliemos um pouco mais nossa visão de família e consideremos que ela é composta pela humanidade como um todo. Imbuídos dessa visão macro, coloquemos um sentimento comum: a fraternidade.
O mestre búlgaro Peter Danov, criador da paneuritmia, deixa-nos a seguinte mensagem: “Está por vir a cultura da fraternidade entre todos os povos. Eles serão como membros de uma grande família, em que os mais fortes ajudarão os mais fracos. Os povos são órgãos de um organismo cósmico e, assim como cada órgão tem seu  lugar, sua função e missão, também cada povo os tem. Os dias atuais presenciam o surgimento dessa ideia na consciência da humanidade.”
Portanto, deixo a oração para esses tempos, A Grande Invocação:
Do ponto de Luz dentro da Mente de Deus. Que a Luz flua à mente de todos. Que a Luz desça sobre a Terra. Do ponto de Amor dentro do coração de Deus. Que o Amor flua aos corações de todos. Que o Cristo retorne à Terra. Do centro onde é conhecida a Vontade de Deus, que o Propósito guie as nossas pequenas vontades. O Propósito conhecido e usado pelos mestres. Do centro do que chamamos raça humana, que se cumpra o Plano do Amor e da Luz e que ele possa selar a porta onde habita o mal. Que a Luz, o Amor e o Poder restaurem o Plano sobre a Terra.
Assim seja. Paz profunda neste Natal!

REFLEXÃO PRÉ-NATALINA I



E chegamos novamente ao final de mais um ano. O cheiro de Natal já está no ar. Desde criança, quando começa o mês de novembro, sinto o cheiro de uma palmeira que me lembra o Natal.
Sim, sobrevivemos a mais um ano difícil, creio que para a maioria dos mortais. Neste tempo também nos assola uma inevitável reflexão de avaliação de nossa conduta, dos sucessos e fracassos que tivemos e as expectativas com relação ao que virá, apesar de termos o entendimento de que só encontramos as respostas e a felicidade na vivência do aqui-agora.  De minha parte, posso abrir o coração com você, leitor, e dizer que ultimamente tenho pedido para ser mostrado a mim sinais e insights de como proceder a partir de agora, unicamente pelo propósito maior que minha alma escolhe, estando de acordo com o Propósito Divino que nos foi traçado. Para isso, em minhas meditações tenho feito uma oração ao Espírito Santo, a qual transcrevo a seguir, e que também possam usá-la, caso essas palavras tomem eco em seus corações: “Espírito Santo, tu és a alma de minha alma! Adoro-te humildemente. Ilumina-me, dirigi-me, conduze-me, fortalece-me, consola-me. Revela-me teus desejos, tanto quanto corresponder aos planos do eterno Pai. Faze-me conhecer o que o amor eterno deseja de mim. Faze-me conhecer o que devo fazer. Faze-me conhecer o que devo sofrer. Faze-me conhecer o que devo, aceitar em silêncio, modéstia e reflexão, carregar ou suportar. Sim, Espírito Santo, faze-me conhecer tua vontade e a vontade do Pai, pois quero que toda a minha vida não seja senão um contínuo e perene SIM aos desejos e a vontade do eterno Pai.” Amém. Paz profunda a todos.

cronicasdesilamon.blogspot.com

ANJOS IPÊS



Desde criança vejo as árvores como se fossem seres gigantes do planeta. Até hoje tenho essa visão sempre que observo-as. Mas uma em especial floresce justamente no tempo de estio, antes da primavera chegar – os ipês.
Quando deparo com um ipê branco tenho a impressão de estar avistando um anjo, tal sua beleza e imponência. Tenho a sensação de que ele nos lembra que há paz no mundo e esperança de que em breve virá a primavera. E essa primavera não se refere somente à estação climática, mas também à de nossos corações. Sim, sinto tudo isso quando avisto um ipê branco. Nesta época, eles estão por toda parte da cidade. Estamos cercados de anjos gigantes, porém só quem os nota são aqueles que têm olhos de ver!
Nos florais de Minas, um dos primeiros sistemas com flores brasileiras, do qual sou adepta por sua eficácia, há uma essência chamada Tabebuia (Tabebuia chrysotricha), feita da flor do ipê amarelo. “É indicada para toda e qualquer situação especial da vida em que as forças espirituais, psíquicas ou físicas precisam ser concentradas no objetivo de autocura; para todas as condições em que há dispersão energética que impede a transição de etapas ou de um novo recomeço; para quando todas as forças estão aparentemente exauridas; existindo apenas a esperança como única chama acesa; para aquela alma que precisa concentrar e potencializar todos os recursos internos para obter a recuperação; para a personalidade energeticamente solitária, sem a possibilidade de obter ajudas externas, e que, no entanto, anseia por um último esforço interno de salvação; para aquelas situações de conflito psíquico ou físico que exigem muito esforço e concentração, em que parece não haver saídas ou opções.”
Portanto, não é por acaso que sinto tudo isso quando vejo um anjo ipê. Salve a primavera!

O PAI NOSSO



O pai nosso de cada um de nós é tão importante que a principal oração cristã tem esse nome.
Quem é gnóstico sabe da máxima de que “como é em cima é embaixo” e quero aqui fazer uma analogia entre o Pai Nosso e o pai nosso. Da mesma forma que o Nosso Pai do Céu é a nossa Referência, o nosso Protetor, Aquele a quem nos refugiamos nas horas difíceis, Aquele que nos provém, que nos ama incondicionalmente, mas que nos dá os limites, as regras de viver no mundo, os mandamentos e os parâmetros da formação do caráter; é assim também o nosso pai na Terra. E na nossa sociedade ocidental geralmente o pai é relegado a um segundo plano, tendo sempre a mãe como a principal fonte de amor e proteção do filho. A mãe é considerada uma entidade sagrada, intocável, inquestionável. E o pai?
Geralmente os homens se queixam de que quando nasce o primeiro filho, ele sempre fica de escanteio pela esposa, que passa a se dedicar integral e possessivamente ao rebento. Mesmo durante a gravidez somente a mulher recebe as atenções e cuidados, mas sabemos que nesse período os maridos também passam por muitas transformações, emocionais e às vezes até físicas.
Costuma-se dizer que o pai é distante dos filhos, que não sentem tanta falta deles quanto da mãe, etc. São paradigmas sociais. Portanto quero aqui exaltar a figura desse pai, ao mesmo tempo tão amado e por vezes tão injustiçado por nós e prestar minhas homenagens e reverência a dois deles. Ao meu pai, que já fez sua Grande Viagem, mas sei que continua me protegendo, como sempre fez em vida, e ao pai de minha filha, que tem se mostrado presente em todos os senti-dos, que a ama profundamente, tanto quanto eu e que assim como todos os pais tem todas as qualidades do Nosso Pai.

PAUSA NO TEMPO



Estive em encontro de poetas e escritores na Academia Campinense de Letras, do qual participei como membro da Academia das Forças Armadas. Era um grupo pequeno e contava com a presença dos presidentes Agostinho Tavolaro e Arita Damasceno Pettená.
Reunimo-nos em homenagem ao poeta campineiro Guilherme de Almeida e desde o momento em que fomos chegando, conversando informalmente, conhecendo-nos melhor, lendo e ouvindo poesias, até o momento final, com o tradicional chá, mergulhamos numa energia leve, uma bruma enebriante de poesia e emotividade.
Sempre que vou à Academia transporto-me no tempo. Nessa ocasião, especialmente, é como se o tempo parasse para nos ouvir. Ficamos envoltos num pequeno espaço onde os sonhos se revelam, as emoções fluem – um local suspenso num universo paralelo, alheio ao correr apressado do mundo; momento único num espaço-tempo em uníssono com a serenidade Divina.
João Batista Muniz Ribeiro, presidente do Clube dos Poetas de Campinas, citou um ditado antigo: “São Pedro não conta o tempo em que o pescador fica pescando. Ele desconta. Dá um crédito”. E rimos aliviados, porque apesar de todos nossos compromissos lá fora, naquele momento estávamos ganhando um desconto do tempo.
Ganhamos um bônus Divino para preencher nossas almas de poesia e lirismo, de boas histórias contadas, de uma troca sem intenções secundárias. Apenas estávamos ali compartilhando o exercício da intelectualidade unida à emoção para alimentar nosso espírito.
Sinto-me mais uma vez abençoada por gozar desse privilégio. Aproveito para ilustrar este meu pensa-mento com um dos haicais de Guilherme de Almeida:

Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se “Agora”.