Quando olhamos as coisas de cima, temos uma visão mais clara sobre tudo. E é justamente essa sensação que temos quando assistimos ao documentário Home.
O fotógrafo Yann Arthus-Bertrand faz suas tomadas de cenas de dentro de uma avião, que voa muitas vezes rasante sobre pontos críticos do planeta, mostrando-nos toda miséria e devastação em que a nossa “casa” se encontra. É tudo muito chocante.
Senti uma tristeza profunda e reflexiva, principalmente quando vi a cena na qual ele mostrava uma área de extração de minérios e a impressão que passava era a de uma pele cheia de feridas, em carne viva. Na parte final do filme, ele começa dizendo que ainda restam muitas coisas a serem preservadas e começa a mostrar cenas maravilhosas de lugares onde a natureza está intacta, e em seguida finaliza com a pergunta: “E agora, o que você vai fazer?”
Assisti ao documentário junto com minha filha de 12 anos, que por sua idade sente-se ainda mais responsável em preservar a casa onde terá que passar muitos anos ainda pela frente. Ela me disse, indignada: “Esse filme tinha que ser exibido em praça pública, em todas as escolas, para que todo mundo acorde.” No entanto, na sala de cinema só estávamos nós duas e mais meia dúzia de pessoas, enquanto a sala ao lado, na qual era exibido um filme comercial, estava totalmente lotada. É deprimente e muitas vezes desanimador. Mas ela, com sua energia de tentar mudar as coisas, “baixou” o filme pela internet e vai presentear cada professor seu com uma cópia para passar aos alunos e, assim, do seu jeito, passar para frente a mensagem.
Do meu lado, também tento mudar alguma coisa passando essa mensagem para vocês, queridos leitores, que sei que são poucos comparados aos leitores de jornais que vendem notícias de violência, futebol, mulheres nuas, colunas sociais, etc. Ainda assim acredito, pela teoria de ressonância da física quântica, que podemos fazer muita diferença. Precisamos apenas encontrar nossa própria maneira de atuar.