Participei recentemente de um satsang com Marco Schultz –que, para quem não sabe, é um bom moço de 38 anos, iogue de Florianópolis, com olhos doces e fala sábia. Uma das muitas verdades que ele nos falou entre um e outro kirtan (cântico indiano) que cantava com o seu grupo, é a de que nos tornamos mais felizes quando cumprimos nosso dharma (missão) com satisfação, o que eles sentiam naquele momento em que compartilhavam conosco.
Dois dias depois, ouvi as mesmas palavras sábias, desta vez de uma simplória senhora sentada numa fila de espera, em um posto de atendimento público. Ela dizia para outra senhora: “Eu adoro ajudar as minhas filhas, cuidar de meus netinhos, limpar a minha casa, que é pequenininha mas é tudo limpinho. Quando deito, durmo a noite inteirinha.” No mesmo instante em que ouvi essas frases, relacionei o pensamento desses dois personagens: a mesma sabedoria, vivenciada de maneiras tão diversas. A primeira vem com a cor do chão dos mosteiros da Índia e a segunda, com a cor do chão de terra batida do Brasil.
A satisfação de viver e fazer aquilo que se propõe da melhor maneira possível e com paixão. Essa é a sabedoria comum, que une mundos tão distintos, que enriquece nossa caminhada evolutiva, que nos faz dormir como anjos, a noite inteirinha. A satisfação do dever cumprido, mas feito com paixão.
Neste momento, não consigo deixar de me perguntar: como seria o contexto político se cada candidato, ao invés do interesse financeiro, buscasse seu lugar na cadeira do Legislativo ou do Executivo pela verdadeira vocação? Ou ainda pela verdadeira satisfação de cumprir seu dharma? Certamente as eleições seriam um evento prazeroso para os eleitores: escolher dentre os que tivessem mais paixão pela sua missão e não o que estamos assistindo, em que vence aquele que tem mais milhões para sua campanha.
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