8 de set. de 2010

Presente de mãe

O maior presente que recebi como mãe este ano foi uma conversa que tive com minha filha adolescente – aos 13 anos, na flor de sua idade, desabrochando como uma rosa, suave, porém uma pessoa com valores concretos, sólidos.
Outro dia, alguém comentou que ela é uma menina ainda inocente e ela me respondeu: “Inocente, não. Consciente.” É fato. Acompanho suas indignações com relação a atitudes de meninas que na sua idade estão sendo violentadas por uma cultura de massa que conduz a uma sexualização precoce, a vícios, ao consumismo exagerado e à irresponsabilidade. Hoje, podemos conversar de igual para igual sobre todos os assuntos e isso é tão realizador, pois a vejo se tornando uma mulher muito interessante.
Uma pessoa do bem e de bem consigo mesma. Essa era a preocupação maior que eu tinha quando estava grávida. Pensava na responsabilidade em criar um ser humano para ser uma boa pessoa, e hoje eu a vejo assim. Ela nasceu três dias depois de meu aniversário e eu disse que foi o melhor presente de minha vida. E agora, esse compartilhar, que é mais valioso que a joia mais cara do mundo. Compartilhar nossos segredos, nossas dúvidas, nossas experiências, nossas alegrias e nossas decepções. É também a amizade mais verdadeira que existe entre mãe e filha, pois o amor é incondicional e não existe competição, receios de traição ou de inverdades de ambas as partes.
Penso que a gente, como mãe, também evolui muito, pois hoje é possível ter essa conversa aberta, coisa que nós, mulheres na minha idade, dificilmente tivemos com as nossas mães, que carregavam ranços morais e medos diversos. Parece óbvio esse meu relato, mas foi o que senti quando conversávamos e me inspirei a escrever este artigo. E, depois, todas as mães são mesmo óbvias. 

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