28 de fev. de 2012

NA ONDA DA MULHER

Na onda da mulher

A mulher está “na moda”, pelo menos no Brasil. Desde que Dilma Rousseff foi eleita presidente, vem se estabelecendo uma onda de valorização da mulher nos mais variados setores de trabalho e da sociedade. No Brasil, é assim. Vivemos ondas midiáticas e arquetípicas que determinam pensamentos e comportamentos de massa.
Atualmente, temos notícias de empresas que priorizam e contratam mais mulheres em seus quadros, em diversas funções. Embora tenha crescido a participação das mulheres no mercado de trabalho, os salários continuam menores em relação a homens que exercem o mesmo cargo.
Hoje temos mulheres ocupando outros postos, até em campos comumente masculinos, como o futebol. Na política, de uma forma geral aumentou muito o número de cargos de ministras e secretárias em diversas capitais. Outro exemplo é a nomeação da delegada Martha Mesquita Rocha para a chefia da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que passa a ser a primeira mulher a comandar cerca de 12 mil policiais.
Grupos de mulheres são formados nas mais diversas partes do mundo. Eu mesmo participo de um desses, uma vez por mês, no qual podemos trocar experiências, acolhimentos, conselhos de sabedoria vivencial, orações, danças, artes e quitutes. Tudo isso é extremamente saudável e nos preenche e fortalece muito.
Geralmente os homens não entendem esse comportamento, que é quase que instintivo em nosso gênero, e perdem a oportunidade de tentar fazer o mesmo e se fortalecerem emocionalmente. Dessa forma, reduziriam drasticamente as possibilidades de, por exemplo, sofrer um infarto e seriam muito mais criativos e inteiros.
Sinceramente, espero que essa onda não seja passageira e que de fato nós, mulheres, possamos enfim circularmos à vontade neste mundo. 

15 de fev. de 2011

MILAGRE DA ALEGRIA

Nesta edição iria escrever sobre a tristeza sentida ao perder nosso leitor e amigo Péricles Previtalli, que fez sua passagem no final de janeiro. Um mês antes ele havia sido sorteado em uma de nossas promoções. Na oportunidade, conversamos muito, até sobre vida e morte, e ele pediu uma cópia de sua foto para guardar de recordação, e me cobrava isso com urgência, como que sentindo seu curto tempo.
Vocês repararam como as pessoas percebem quando estão partindo?  Mas o que quero mesmo é escrever sobre a alegria, a mesma que o sr. Péricles tinha e com a qual contagiava a todos que conhecia. Da mesma forma, e com igual entusiasmo pela vida e pela liberdade de expressar seus sentimentos e ideias, a entrevistada desta edição, a poeta e escritora Arita Pettená.
Para completar este quadro, estou retornando de uma experiência que me trouxe muita alegria. Participei da primeira aula de paneuritmia. Essa técnica surpreendente está descrita numa matéria especial nesta edição. Alegria também é a palavra que descreve Petrus Schoenmaker, um conhecido facilitador de danças circulares sagradas e folclóricas na vizinha e bucólica cidade de Holambra. Contagiei-me por seu entusiasmo e por sentir ressoar em mim como um caminho verdadeiro. É com o mesmo entusiasmo que recomendo às pessoas que me leem neste momento a conhecer essa modalidade de dança circular, oferecida gratuitamente. Trata-se de um trabalho espiritual, também chamado seva (em sânscrito) ou serviço, que expressa o fato de passarmos para a humanidade um conhecimento que traga evolução ao ser humano, seja espiritual, intelectual ou social. Assim também funciona a Educação em Valores Humanos de Sathya Sai Baba ou os passes no espiritismo.
Concluindo: somos todos merecedores dos milagres, assim como somos todos capazes de realizá-los. “Trabalhe para Deus que Ele trabalha para você”.

‘‘DESACELERA, AYRTON!"

Novo ano. Novos planos. Se pensarmos numa dimensão maior, o espaço-tempo não existe. Um ano pode significar um átimo de segundo na eternidade, mas nós, humanos, precisamos medir o tempo para nos situar, então inventamos as horas, os dias da semana, o término e começo de um ano. Dessa forma nos é dada a oportunidade de limpar o passado e recomeçar para mudar o futuro, e isso é saudável.
Tem a ver com uma famosa frase de Chico Xavier: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”. De acordo com essa filosofia, tenho feito uma proposta a mim mesma, a qual gostaria de estender a todos: vamos desacelerar!
Depois de refletir sobre a teoria da ressonância de Schumann, segundo a qual a aceleração da Terra aumentou, causando-nos a sensação de termos menos tempo e de que ele está passando rápido demais (você sentiu 2010 passar?), após a febre do “chegar primeiro”, iniciada nos anos 80 com os yuppies, a próxima tendência será uma necessidade de voltar ao passado, quando tínhamos mais tempo para conversar com o vizinho ou preparar nosso almoço.
Na Europa, está forte o movimento slow food (assunto de artigo publicado na edição de Julho/2010 do JORNALZEN), com crescente número de adeptos em todo o mundo, até no Brasil. Se diminuirmos um pouco nosso ritmo frenético, afetaremos positivamente no aceleramento da rotação da Terra, no aquecimento global, no desmatamento. Produzir menos e com mais qualidade, mais devagar e com maior precisão. Com certeza teremos menos acidentes, mais trocas afetivas, menos erros e mais sabor.
Esse é o meu plano para o novo ano. Sei que não será nada fácil, pois me habituei a essa roda viva. Mas como todo hábito, devemos ir substituindo, inserindo o novo hábito que sem percebermos se instala e se impregna em nosso cotidiano. Um lento 2011 para todos!

5 de jan. de 2011

VÍTIMA OU SENHOR

Uma pessoa mística, que vive pela fé, entrega seus problemas com uma confiança tenaz na obra divina. Um estudioso de física quântica confia na concretização do pensamento e do desejo aliados, na transformação da realidade presente pela mudança de frequência magnética. O ocultista entende que através da conexão da personalidade com a alma é possível transmutar a realidade individual e coletiva.
A alma tem propósitos que devem ser canalizados por meio da personalidade e ser a principal motivação do dia a dia. Ela segue um propósito maior, que gera ações a serem realizadas, enquanto personalidade, para que esse propósito maior seja cumprido. Se conseguir manter minha personalidade conectada com a alma, motivando minhas ações na vida diária, então o meu cotidiano será determinado pelo propósito maior da alma que, por sua vez, obedece a um plano divino.
Em minha vida diária nunca havia me questionado se as atitudes que tomo estão ou não relacionadas com o propósito da alma. Mas entendo que eu sou a alma e a ela devo dedicar minha atenção para além do momento da meditação. Se desenvolvo a noção de que sou um com todos, eu vivo de acordo com a alma.
A nota-chave da alma é sacrifício. Entendo a palavra sacrifício como sacro ofício e, dessa forma, isso nos dá a capacidade de vivenciar a vida através do sagrado que está em nós, em nossos semelhantes e em todas as ações da vida diária.
“Existe uma força que torna nova todas as coisas e ela atua e se move naquele que entende o Eu como Um”. Se eu for capaz de manter em minha vida diária essa consciência de que a alma atua através de mim e que eu sou um com todos, então terei o poder de fazer novas todas as coisas e só assim poderei ser senhor de mim e de meu destino e não ser uma vítima das circunstâncias.

O MENINO E O SOLDADO

Abri o jornal pela manhã e deparei com uma foto que me emocionou: um soldado, segurando um fuzil e chutando bola para um menino à sua frente, numa rua de favela em nosso país.
Essa cena se repete numa rua do Haiti ou do Iraque, e é sempre singela. Os soldados militares dão sua vida para defender a população numa guerra, no nosso caso, promovida pelo terror do tráfico de drogas. Eles carregam no peito as medalhas e símbolos daqueles que não temem a morte, até a própria, e sentem orgulho de morrer em batalha. Essa é a grande glória de um soldado e sua motivação é o apoio e o reconhecimento das vítimas pelas quais eles lutam.
É o que estamos assistindo nos recentes episódios no Rio de Janeiro. A população atravessa tranquila e confiante na frente de um soldado apontando uma escopeta. Esse mesmo comportamento observo em uma de minhas gatas, que nem se mexe quando passo bruscamente com uma vassoura ao seu lado. Ela confia em mim e sabe que não irei machucá-la. O militares brasileiros, que no passado representaram para muita gente a repressão de uma sociedade libertária, hoje representam a libertação de um povo oprimido pela marginalidade.
Mas a grande questão por trás de tudo isso é outra. Só existe o tráfico de drogas porque existem os consumidores e a demanda é muito grande e crescente. Há os usuários viciados e lesados pelo crack, um subproduto da cocaína, de poder altamente destrutivo, feita para atingir os de baixa renda. Para estes deve existir uma política de tratamento público urgentemente. Há também aqueles que consomem por puro prazer e diversão, que pagam o luxo do tráfico. Estes precisam refletir seriamente sobre seu egoísmo destrutivo e assumir de uma vez por todas que são coautores de todo este terror instalado em nosso país.

UMA RELES IMORTAL

No momento em recebi o título de membro da Academia Campineira de Ciências, Letras e Artes das Forças Armadas, fiquei sem palavras e além disso o ritual da cerimônia de posse não incluía um discurso. Portanto quero externar aqui meus sentimentos, nesta coluna, que foi uma das responsáveis pela minha indicação. Muitas pessoas queridas me parabenizaram e naqueles momentos me dava conta da importância e da grande honra de receber este título. Agora me tornei uma “imortal”, principalmente porque agora poderei ser lembrada por alguém daqui há muito tempo, quando numa reunião qualquer alguém fizer uma leitura de algo que escrevi e citar o meu nome. Pronto agora estou satisfeita e agora realmente fazendo parte da história da cidade. Sempre digo que: o que considero mais importante nessa vida é participar ativamente da história e deixar a nossa marca. Talvez seja por isso que luto tanto, porque confesso que às vezes paro e penso para quê tudo isso, mas eis aqui a resposta, pra não passar a vida em vão. Para deixar rastros no meu caminhar e dessa forma toda a luta vale a pena. Quero agradecer à minha grande amiga e poeta Arita Damasceno Pettená pela indicação de meu nome e estender meu agradecimento aos honrados membros que o acataram.. Meu patrono é o Cônego Haroldo Niero, que foi Padre Emérito da Arquidiocese de Campinas, o qual peço que me abençoe neste árduo caminho das letras para que eu possa traduzir e expressar através das palavras aquilo que vai no meu coração e na minha mente
Além deste espaço que escrevo mensalmente, estou atualmente com um blog (cronicasdesilamon.blogspot.com) onde estou postando, aos poucos e fora de ordem, todas as crônicas que escrevi até agora. A nossa vida precisa de poesia e é por isso que o JORNALZEN destina um espaço para a sua manifestação.