5 de jan. de 2011

VÍTIMA OU SENHOR

Uma pessoa mística, que vive pela fé, entrega seus problemas com uma confiança tenaz na obra divina. Um estudioso de física quântica confia na concretização do pensamento e do desejo aliados, na transformação da realidade presente pela mudança de frequência magnética. O ocultista entende que através da conexão da personalidade com a alma é possível transmutar a realidade individual e coletiva.
A alma tem propósitos que devem ser canalizados por meio da personalidade e ser a principal motivação do dia a dia. Ela segue um propósito maior, que gera ações a serem realizadas, enquanto personalidade, para que esse propósito maior seja cumprido. Se conseguir manter minha personalidade conectada com a alma, motivando minhas ações na vida diária, então o meu cotidiano será determinado pelo propósito maior da alma que, por sua vez, obedece a um plano divino.
Em minha vida diária nunca havia me questionado se as atitudes que tomo estão ou não relacionadas com o propósito da alma. Mas entendo que eu sou a alma e a ela devo dedicar minha atenção para além do momento da meditação. Se desenvolvo a noção de que sou um com todos, eu vivo de acordo com a alma.
A nota-chave da alma é sacrifício. Entendo a palavra sacrifício como sacro ofício e, dessa forma, isso nos dá a capacidade de vivenciar a vida através do sagrado que está em nós, em nossos semelhantes e em todas as ações da vida diária.
“Existe uma força que torna nova todas as coisas e ela atua e se move naquele que entende o Eu como Um”. Se eu for capaz de manter em minha vida diária essa consciência de que a alma atua através de mim e que eu sou um com todos, então terei o poder de fazer novas todas as coisas e só assim poderei ser senhor de mim e de meu destino e não ser uma vítima das circunstâncias.

O MENINO E O SOLDADO

Abri o jornal pela manhã e deparei com uma foto que me emocionou: um soldado, segurando um fuzil e chutando bola para um menino à sua frente, numa rua de favela em nosso país.
Essa cena se repete numa rua do Haiti ou do Iraque, e é sempre singela. Os soldados militares dão sua vida para defender a população numa guerra, no nosso caso, promovida pelo terror do tráfico de drogas. Eles carregam no peito as medalhas e símbolos daqueles que não temem a morte, até a própria, e sentem orgulho de morrer em batalha. Essa é a grande glória de um soldado e sua motivação é o apoio e o reconhecimento das vítimas pelas quais eles lutam.
É o que estamos assistindo nos recentes episódios no Rio de Janeiro. A população atravessa tranquila e confiante na frente de um soldado apontando uma escopeta. Esse mesmo comportamento observo em uma de minhas gatas, que nem se mexe quando passo bruscamente com uma vassoura ao seu lado. Ela confia em mim e sabe que não irei machucá-la. O militares brasileiros, que no passado representaram para muita gente a repressão de uma sociedade libertária, hoje representam a libertação de um povo oprimido pela marginalidade.
Mas a grande questão por trás de tudo isso é outra. Só existe o tráfico de drogas porque existem os consumidores e a demanda é muito grande e crescente. Há os usuários viciados e lesados pelo crack, um subproduto da cocaína, de poder altamente destrutivo, feita para atingir os de baixa renda. Para estes deve existir uma política de tratamento público urgentemente. Há também aqueles que consomem por puro prazer e diversão, que pagam o luxo do tráfico. Estes precisam refletir seriamente sobre seu egoísmo destrutivo e assumir de uma vez por todas que são coautores de todo este terror instalado em nosso país.

UMA RELES IMORTAL

No momento em recebi o título de membro da Academia Campineira de Ciências, Letras e Artes das Forças Armadas, fiquei sem palavras e além disso o ritual da cerimônia de posse não incluía um discurso. Portanto quero externar aqui meus sentimentos, nesta coluna, que foi uma das responsáveis pela minha indicação. Muitas pessoas queridas me parabenizaram e naqueles momentos me dava conta da importância e da grande honra de receber este título. Agora me tornei uma “imortal”, principalmente porque agora poderei ser lembrada por alguém daqui há muito tempo, quando numa reunião qualquer alguém fizer uma leitura de algo que escrevi e citar o meu nome. Pronto agora estou satisfeita e agora realmente fazendo parte da história da cidade. Sempre digo que: o que considero mais importante nessa vida é participar ativamente da história e deixar a nossa marca. Talvez seja por isso que luto tanto, porque confesso que às vezes paro e penso para quê tudo isso, mas eis aqui a resposta, pra não passar a vida em vão. Para deixar rastros no meu caminhar e dessa forma toda a luta vale a pena. Quero agradecer à minha grande amiga e poeta Arita Damasceno Pettená pela indicação de meu nome e estender meu agradecimento aos honrados membros que o acataram.. Meu patrono é o Cônego Haroldo Niero, que foi Padre Emérito da Arquidiocese de Campinas, o qual peço que me abençoe neste árduo caminho das letras para que eu possa traduzir e expressar através das palavras aquilo que vai no meu coração e na minha mente
Além deste espaço que escrevo mensalmente, estou atualmente com um blog (cronicasdesilamon.blogspot.com) onde estou postando, aos poucos e fora de ordem, todas as crônicas que escrevi até agora. A nossa vida precisa de poesia e é por isso que o JORNALZEN destina um espaço para a sua manifestação.

4 de jan. de 2011

A VERDADE NA SIMPLICIDADE

Venho comprovando essa máxima ao longo de minha vida, como pessoa, terapeuta e na prática da comunicação.
Como pessoa, tenho aprendido cada vez mais a valorizar as pessoas e os momentos mais simples como os mais importantes e que me fazem mais feliz. Como terapeuta, aprendi com Dr. Bach que, apesar da simplicidade, o método de cura por meio das essências florais é extremamente completo e eficaz.
Na minha atual condição de pessoa de imprensa, tenho entrado em contato com muitas pessoas, técnicas terapêuticas clássicas e alternativas, práticas espiritualistas, além de empresas e empresários de diversos segmentos. Confesso que só isso já vale o esforço diário que empreendemos para fazer acontecer o JORNALZEN.
O que quero dizer é que, em meio a tudo e a todos, tenho percebido e valorizado a verdade quando noto a simplicidade e autenticidade de cada um. Consigo perceber a verdade contida num gesto, numa palavra, numa atitude, num desabafo, num elogio, numa crítica ou num olhar. Da mesma forma, percebo quando alguém ou alguma empresa, para parecer correta, investe milhares de reais, geralmente em grandes veículos da mídia, mas na verdade não faz o que poderia efetivamente fazer a diferença. Campanhas pseudo-sociais e ambientais e supostas parcerias com entidades ecológicas mascaram a realidade. Não seria mais verdadeiro reinventar-se e, de fato, mudar sua atuação direta na sociedade e no meio em que vive?
Devo dizer que o JORNALZEN, acima de qualquer interesse comercial, traz em sua essência uma missão filosófica: a de contribuir para a melhora das pessoas e do planeta. Nosso trabalho tem sido “de formiguinha” e isso muito me orgulha, pois as formigas se constituem em comunidade das mais organizadas e produtivas. 

DESISTIR? É DE COMER?

Quando li esta frase citada no livro Pérola Negra – que, de tão envolvente, li em apenas dois dias –, de Elaine Pereira da Silva, refleti sobre minha própria vida e de milhões de mulheres neste mundo que não conhecem o significado dessa palavra. É verdade que muitas vezes reclamamos, choramos, brigamos e fraquejamos. Porém, nunca desistimos.
O mestre indiano Sathya Sai Baba diz que a mulher é a mola mestra da sociedade, sendo a responsável pela formação e educação dos homens, assim como nutre com o leite e o amor. Se a mulher desiste, o mundo pára. Por mais que nos sintamos inseguras e cansadas, não podemos desistir. O tempo também não nos permite descansar. Há muito o que fazer por aqui e além daqui, pois nossa alma não tem descanso nunca.
O filme À Procura da Felicidade nos mostra que, quando pensamos que chegamos ao nosso limite, ainda somos capazes de um pouco mais, pela nossa persistência, e esse pouco a mais pode ser decisivo para obtermos a felicidade. Isso também aprendi em uma vivência de final de semana no Leader Training, em que você tinha que correr pra um “X” marcado no chão, disputando com outros ao redor. Desse modo, a gente aprende a lutar por nosso espaço. Eu corro “para alcançar o ‘X’ ” todos os dias, incansavelmente, e na verdade não existe um limite ou final.
Somos uma centelha divina luminosa e ilimitada – devemos sempre nos lembrar disso. Vamos acreditar no ser humano. Vamos exaltar essas mulheres que correm diariamente para alcançar o “X” em todos os segmentos da sociedade e para a sociedade. Salve as ‘Elaines’, as ‘Silvias’ e as ‘Marias’. Parabéns a todas as filhas de Eva!

“Não existe lugar para descanso nesta peregrinação; é uma viagem sem paradas, de dia e de noite, por vales e desertos, através de lágrimas e sorrisos, através de morte e nascimento.” (Sathya Sai Baba)



CRENÇAS LIMITADORAS

“Agosto, mês de desgosto”. Conhecem esse ditado popular? Desde criança ouço essa frase de alguém. Diziam também que agosto é o mês do cachorro louco, da bruxa solta, essas coisas. Isso sempre me deixou contrariada, pois é o mês do meu aniversário. E aniversário, para mim, sempre foi sinônimo de alegria.
Temos aprendido com o Segredo que atraímos para nós aquilo que pensamos e falamos. Até aqui tudo bem, porque em nível individual sou capaz de me exercitar para mudar pensamentos e palavras, porém o que fazer com as crenças coletivas? O psicanalista Carl Gustav Jung nos passou o conceito sobre o inconsciente coletivo, ou seja, aqueles símbolos, mitos, crenças, etc. guardados na cultura dos povos desde a mais remota antiguidade e que passados de geração em geração, e que muitas vezes nem precisam ser expressas para serem incorporadas.
Como foi o seu mês de agosto? Até que ponto essa crença nos influencia e, com isso, gerando a cada agosto um mês difícil? Como mudar isso? Mais uma vez citando um psicanalista, desta vez Sigmund Freud, ele dizia: “Para que seja resolvido um conflito, devemos em primeiro lugar tomarmos consciência do mesmo”. Deste modo, penso que se ficarmos atentos e conscientes sobre as crenças negativas que nos passam ou que passamos aos nossos filhos e começarmos a transformá-las no seu oposto, poderemos nos libertar de seus efeitos.
Outro ditado: “Depois da tempestade, vem a bonança”. Passado o desgosto de agosto, agora vem chegando a primavera, com o sol brilhando, as flores se abrindo... Dessa forma seguimos em frente, com a fé renovada. Refletindo sobre a fé, percebi dias desses que são nas horas mais difíceis que você nem consegue rezar, nem agradecer, nem pensar positivo. E é justamente nessas horas que sua fé está sendo testada. Quando tudo parecer perdido e você realmente entregar, confiar, aceitar e agradecer (como citou nosso querido Hermógenes, entrevistado nesta edição), aí sim pode se considerar uma pessoa de fé.