Sempre me impressiono quando vejo uma apresentação de street dance, um espetáculo circense, ou ainda uma apresentação de balé clássico. Fico maravilhada com a precisão dos movimentos o auto-domínio total do ser humano com o seu veículo carnal. É quando fica claro para mim o quanto nossa inteligência é capaz de moldar esse complexo de músculos, ossos, sangue e ainda subverter a lei da gravidade.
É nesses momentos que vejo comprovado a divindade do ser humano. Tanto quem os observa quanto aquele que executa os movimentos, a alma se regozija, se expande, brilha e se sente plena dentro desse corpo que a acolhe.
Num outro extremo, já começo a sentir em mim a chegada do outono da vida e começo a sentir o corpo tornando-se mais sensível a quedas, a dores e sentindo cada vez mais a necessidade de exercitá-lo de forma a não forçá-lo e sim sentir pulsando saudavelmente a alma ainda muito jovem.
Encontro um velho colega de trabalho que já está com seus quase 80 anos que me diz que já está chegando ao seu final. Sinto compaixão pela constatação de que com o passar dos anos o nosso corpo físico já não responde o que a nossa alma almeja. E é nesse momento que ela decide deixar esse velho invólucro para voltar a ser livre.